Queridos irmãos em Cristo Jesus,
Na metade desta segunda semana do Tempo do Advento, a Igreja no orbe habbiano vive com alegria a abertura do Sínodo para a Evangelização, nossa Igreja particular de Aparecida vive o início do Ano da Unidade e, deixando nossa semana ainda mais feliz, celebramos todos com muito júbilo a Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Mãe de Deus Maria Santíssima.
Ao proclamar o dogma da Imaculada Conceição (declarado oficilamente pela Igreja como tal pelo papa Pio IX em 1854 através da bula Ineffabilis Deus) e celebrar a solenidade da Virgem Mãe de Deus e Senhora nossa, proclamamos que Maria é, de fato, a mulher cheia de graça, a mulher puríssima, que verdadeiramente deveria ser a mãe do Salvador.
O apóstolo Santo André já havia proclamado bem antes de Pio IX, ainda que não oficialmente, a Imaculada Conceição de Maria, quando disse ao procônsul Egeu: "E porque o primeiro homem foi formado de uma terra imaculada, era necessário que o Homem perfeito nascesse de uma virgem igualmente imaculada". Santo Agostinho também afirmava que Maria foi concebida sem pecado quando dizia: “Quem poderá dizer: eu nasci sem pecado? Quem poderá se gloriar de ser puro de toda iniqüidade, senão (…) a santa e imaculada Mãe de Deus, preservada de toda corrupção e de toda mancha de pecado?” Santo Afonso de Ligório prometeu até mesmo dar a própria vida para defender esta verdade de fé.
É Deus operando maravilhas no meio do seu povo, é o Senhor realizando o impossível, o inimaginável. Que Ele possa encontrar nossos corações sempre mais dilatados, sempre mais dóceis ao seu Espírito de Amor, e possa então realizar sua obra em nossas vidas. E que o mesmo Espírito Santo conduza as atividades do XII Sínodo dos Bispos e do Ano Arquidiocesano da Unidade, e que Maria, Estrela da Nova Evangelização, interceda por todos nós.
A anunciação do arcanjo Gabriel inicia-se com uma bela saudação, pedindo que a Virgem se alegre, pois encontrou graça diante de Deus. Assim como Ester, que conquistou as boas graças do rei, Maria é a humilde serva na qual o Senhor se compraz. Ela é a mulher temente a Deus, que também intercede por seu povo. Que possamos também nós, regozijarmo-nos nas glórias de Maria e darmos graças a Deus Pai por nos ter enviado seu Filho, Jesus Cristo, nascido da Virgem Imaculada.
Maria se surpreende com a aparição do anjo, e questiona como poderia ter um filho se não conhecia homem algum. O anjo lhe diz:"Não tenhas medo." Que estas doces palavras do anjo possam ressoar em nossas vidas. Embora haja uma surpresa inicial, muitas dúvidas e dificuldades na missão, acolhamos com alegria o chamado do Senhor e busquemos transmitir o Seu Amor ao mundo, sem medo, pelo contrário, com muita força e entusiasmo, e digamos SIM ao projeto do Senhor em nossas vidas. Abramo-nos ao novo que o Senhor propõe a cada um de nós e movamo-nos, a fim de que todas as coisas possam ser, em Cristo, renovadas.
Maria, prefigurada no Antigo Testamento por Eva, é a humanidade que se redime e aceita o plano salvífico de Deus. Eva, a mãe de todos os viventes, desobedece a Deus, ou seja, a humanidade em si se afasta do amor de Deus e passa a viver na plena desgraça. Maria abre para a humanidade com o seu "Fiat" um horizonte de salvação, de graça em Deus, Nosso Senhor.
Maria é a mulher fiel e obediente por excelência. Jesus, seu Filho, é para nós o novo Adão, como cantamos no Precônio Pascal. Cristo, filho de Maria obediente até a morte, e morte de cruz, nos deixa como mãe a sua mãe no Calvário. Portanto, Maria se torna a mãe do povo redimido, a mãe do povo da Nova Aliança. Maria é nossa mãe, a quem devemos amar, amar muito.
O "Fiat" de Maria se une ao Fiat do Criador, e Ele, que desde o ventre de Ana a tinha preservado da mancha do pecado original, por antecipação dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, uma vez que o Filho de Deus não poderia ser gerado num ventre no qual houvesse pecado, tornou-a digna desta grande honra e missão: ser mãe do próprio Deus, já que o Cristo é segunda pessoa da Trindade Santa.
Maria mesmo estando grávida do Filho de Deus foi socorrer sua parenta Isabel, que já estava no sexto mês de gravidez, como São Gabriel tinha anunciado. Esse foi inclusive o fato que motivou o sim de Nossa Senhora, que naquele momento teve a certeza de que "para Deus nada é impossível". Maria é a mulher que não se entrega ao egoísmo do pecado, mas que é extremamente virtuosa, sendo capaz de gerar o Filho do Altíssimo, que deseja instaurar seu Reino eterno entre nós.
Mesmo que vivamos tempos líquidos, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, tempos de incertezas e insegurança, depositemos nossa confiança em Deus, permitindo que Ele seja Deus em nós, e nos conceda a solidez necessária. Que a certeza do poder de Deus em nossas vidas nos encoraje e nos impulsione para a evangelização, para o testemunho fiel a cada dia.
Vivamos, neste advento uma espera ativa pela celebração da primeira vinda do Senhor, e que possamos igualmente aguardar a nova vinda do Senhor Jesus, buscando viver, a exemplo de Maria, a santidade. Enquanto nada dura neste mundo, possamos sempre buscar o eterno, construindo a cada dia o Reino, dando a cada dia nosso sim à Vontade do Senhor, vivendo as virtudes, renunciando ao pecado.
Como São Bernardo de Claraval, possamos dizer a Maria: "Ó Virgem especiosa, toda cheia de ternura, extintos nossos pecados, dá-nos pureza e brandura".
Concluindo esta breve reflexão, convido-vos a rezar como nossa mãezinha ensinou a Santa Catarina Labouré na sua aparição na França em 1858: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
+Dom Lucas Oliveira
Bispo auxiliar de Aparecida